[Capa] There are only four crew members…
[Ícarus] Negative. Five crew members.
[Capa] Who´s the fifth crew member?
[Icarus] …Unknown.
[Capa] There are only four crew members…
[Ícarus] Negative. Five crew members.
[Capa] Who´s the fifth crew member?
[Icarus] …Unknown.
Categorias: cinema
Nesta semana, fiquei intrigado com uma reportagem que li na Veja. Falava sobre uma tribo encontrada nos confins da Amazônia e que desafiava os estudiosos. O grupo possui várias peculiaridades; transcrevo-as: “[...] é o único (idioma) até hoje identificado no mundo que não tem frases subordinadas [...] não têm palavras para descrever as cores. Não usam tempos verbais que indiquem ações passadas. Não há entre eles a tradição oral de contar histórias. Tudo é dito no presente. A língua escrita não existe. Os pirahãs não desenham e desconhecem qualquer tipo de arte. Eles são a única sociedade no mundo, segundo avaliação de antropólogos, que não cultiva nenhum mito da criação para explicar sua origem. Para completar, os pirahãs não usam números e não sabem contar – têm uma única palavra, “Hói”, que significa “um” ou “pequeno”.”
Na seqüência, o texto explica que há anos “estudiosos” tentam PACIENTEMENTE ensinar o grupo a contar, explicando sua utilidade no dia-a-dia.
É aí que eu entro: por que diabos esses manés querem mudar a cultura desse povo? Eles não viveram muito bem até agora sem os números idiotas? Se fizesse falta a eles, certamente já teriam solucionado o problema. Talvez até tivessem invetando outra maneira de mensurar as coisas. Talvez até já tenham essa maneira. Tentam PACIENTEMENTE, há anos, ensiná-la aos pesquisadores. Sem sucesso.
Sinceramente, não sei se os números fariam tanta falta na nossa sociedade. Claro que existe todo o uso científico para os tais algarismos e seus conceitos mas, vamos seguir a idéia da reportagem e pensar nos números em nosso dia-a-dia: número de mortos, número de acidentes, milhões atrás da parede falsa (poderia ter usado o exemplo “dentro da cueca”, mas é notícia antiga), tantos presos, tantos foragidos, tantas balas perdidas, tantos kilos de droga, tantos mililitros de silicone, tantos % de imposto, mais tantos % de aumento na gasolina, tantos votos para aprovar a CPI, tantas horas de atraso, tantos milhões de votos para o Alemão, tantos % de analfabetos, miseráveis e afins, tantos % de aprovação do Lula. Tanta merda junta.
Voltando ao foco da mudança da cultura alheia, percebemos claramente a semelhança com desses pesquisadores infelizes com os jesuítas que tanto bem fizeram aos índios do começo dos tempos do nosso próspero país.
Certamente os tais “cientistas” teriam muito mais a ganhar se estivessem interessados em aprender e não em “ensinar”. Eu, particularmente, sinto um certo tipo de inveja desse raciocínio totalmente abstrato, desse pensamento que, genuinamente, vai para fora do quadrado.
Categorias: opinião