[Para comemorar a marca de NOVE comentários em pouco mais de DOIS meses, escreverei UM post.]

Nesta semana, fiquei intrigado com uma reportagem que li na Veja. Falava sobre uma tribo encontrada nos confins da Amazônia e que desafiava os estudiosos. O grupo possui várias peculiaridades; transcrevo-as: “[…] é o único (idioma) até hoje identificado no mundo que não tem frases subordinadas […] não têm palavras para descrever as cores. Não usam tempos verbais que indiquem ações passadas. Não há entre eles a tradição oral de contar histórias. Tudo é dito no presente. A língua escrita não existe. Os pirahãs não desenham e desconhecem qualquer tipo de arte. Eles são a única sociedade no mundo, segundo avaliação de antropólogos, que não cultiva nenhum mito da criação para explicar sua origem. Para completar, os pirahãs não usam números e não sabem contar – têm uma única palavra, “Hói”, que significa “um” ou “pequeno”.”

Na seqüência, o texto explica que há anos “estudiosos” tentam PACIENTEMENTE ensinar o grupo a contar, explicando sua utilidade no dia-a-dia.

É aí que eu entro: por que diabos esses manés querem mudar a cultura desse povo? Eles não viveram muito bem até agora sem os números idiotas? Se fizesse falta a eles, certamente já teriam solucionado o problema. Talvez até tivessem invetando outra maneira de mensurar as coisas. Talvez até já tenham essa maneira. Tentam PACIENTEMENTE, há anos, ensiná-la aos pesquisadores. Sem sucesso.

Sinceramente, não sei se os números fariam tanta falta na nossa sociedade. Claro que existe todo o uso científico para os tais algarismos e seus conceitos mas, vamos seguir a idéia da reportagem e pensar nos números em nosso dia-a-dia: número de mortos, número de acidentes, milhões atrás da parede falsa (poderia ter usado o exemplo “dentro da cueca”, mas é notícia antiga), tantos presos, tantos foragidos, tantas balas perdidas, tantos kilos de droga, tantos mililitros de silicone, tantos % de imposto, mais tantos % de aumento na gasolina, tantos votos para aprovar a CPI, tantas horas de atraso, tantos milhões de votos para o Alemão, tantos % de analfabetos, miseráveis e afins, tantos % de aprovação do Lula. Tanta merda junta.

Voltando ao foco da mudança da cultura alheia, percebemos claramente a semelhança com desses pesquisadores infelizes com os jesuítas que tanto bem fizeram aos índios do começo dos tempos do nosso próspero país.

Certamente os tais “cientistas” teriam muito mais a ganhar se estivessem interessados em aprender e não em “ensinar”. Eu, particularmente, sinto um certo tipo de inveja desse raciocínio totalmente abstrato, desse pensamento que, genuinamente, vai para fora do quadrado.

 

 

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4 Respostas para “[Para comemorar a marca de NOVE comentários em pouco mais de DOIS meses, escreverei UM post.]

  1. eu queria viver onde os números não existem. espero que os índios comam estes cientistas…

  2. se eles usassem meus óculos de fazer os outros diferentes, iam parar com essa idéia.

  3. Não fossem os números, este blog não existiria. Ajoelhe no milho e peça perdão por este post no estilo “cuspo-no-prato-que-como”.

  4. Primeiro eu pensei “que porra de língua é essa, que tribo do demonho”! Mas é verdade, é uma realidade fantástica, e os pesquisadores são uns enxeridos… Eu me daria MUITO melhor numa sociedade sem números, sem dúvida. Demorou mas valeu a pena, jovem! 😀

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